Fig. 1 - A antiga localização do órgão, na Capela
Treze anos depois, houve uma tentativa de reconstrução da parte de João de Deus Teixeira, que apenas conseguiu reconstituir três registos. Diversas outras intervenções foram tentadas no instrumento, como em 1904, por alguém das oficinas de António Xavier Machado e Cerveira, com peças oriundas de uma fábrica em New Bedford (USA). Mas só em 1915 se pôs termo a todo este ciclo de experiências, com a reconstrução do organeiro faialense Manuel de Serpa da Silva.
Mais tarde, nos anos quarenta do século passado, o Padre António Silveira de Medeiros resolve criar uma capela dedicada a Nossa Senhora de Fátima no lugar onde estava alojado o órgão, transferindo-o para o coro alto. Esta Capela foi removida em 2004 e fechado o grande arco que a albergava, por razões de segurança (tinha ocorrido um evento sísmico em 1998), ficando na parede a moldura em basalto a marcar o lugar do instrumento.
Fig. 2 - A "actual" localização do órgão, no Coro Alto (de momento encontra-se nas oficinas de Dinarte Machado)
Um novo restauro é ponderado em 1997, dado ao “estado precário em que este instrumento se encontra”(¹) pela Capela da Paróquia e pelo seu regente de então, o Engenheiro Norberto Oliveira, que formaram uma Comissão Pró-Restauro presidida pelo Monsenhor Júlio da Rosa, dirigindo-se assim ao Mestre-Organeiro Dinarte Machado. Esta intervenção teve início a 10 de Junho desse ano, estando inicialmente prevista a sua conclusão a 30 de Outubro do ano seguinte. Decorria tudo dentro da normalidade, quando um terramoto a 9 de Julho de 1998 tornou impossível o regresso do órgão para a igreja três meses depois, obrigando a suspender a operação.
Um pouco mais tarde, no último trimestre do ano passado, se tomou conhecimento de que as obras de restauro já se encontram concluídas. Resta talvez esperar pela verba necessária para o transporte do instrumento ou pelo restauro da caixa do mesmo, para que seja inaugurado durante as Festividades de Nossa Senhora das Angústias, tal como aspira o Mons. Júlio da Rosa.
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« Este Órgão foi construído em Lisboa no ano de 1805, há 151 anos, 1956; e foi mudado este Órgão do Convento da Glória para esta Igreja da Senhora das Angústias a 30 de Septembro do anno de 1874.
Thome Gregório de Lacerda o armou. Felizberto Vieira de Bem (Cónego) o alcançou do extinto convento da Glória quando Vice-Vigário nesta Igreja das Angústias.
Foi reconstruído pelo curiozo João de Deus Teixeira no anno de 1887 pela miseravel quantia de 179$000 reis tendo apenas três registos no seu lugar e estes mesmos incompletos o mais achava-se a monte em sima dos fols a maior parte esmigalhado. Era então vigário o Rev.mo Ant. De Oliveira Moraes que teve a coragem de não oferecer de gratificação ao reconstruidor um pataco para cigarros. 28 de Julho 1887.
A expensas do benemérito sacerdote Vigário José Gonçalves da Silveira foi este órgão reconstruído no anno de 1915 pelo mui habil organeiro Manuel de Serpa da Silva, sendo então Parocho desta freguesia de N. Sr.ª das Angústias o Pe. Raul Camacho. »
A par desta inscrição, encontra-se também a do construtor original:
« Este órgão foi construído por Joaquim António Peres Fontanes no ano de 1805 em Lx. »
- (Anterior) Localização (na Igreja): Coro Alto
- Estado: Não Funcional
- Tipo: Órgão Ibérico, de um manual
- Organeiro: Joaquim António Peres Fontanes (Filho)
- Teclado: Dividido.
- Intervenções:
* Construção – em 1805, por Joaquim António Peres Fontanes
* Mudança de Edifício – 30 de Setembro de 1874, armado por Tomé Gregório de Lacerda
* Tentativa de reconstrução – concluída a 28 de Julho de 1887, por João de Deus Teixeira
* Intervenção – em 1904, por organeiro das oficinas de António Xavier Machado e Cerveira
* Reconstrução – em 1915, por Manuel Serpa da Silva
* Mudança do coro baixo para o coro alto – anos 40 do séc. XX, a mando do Pe. António Silveira de Medeiros
* Restauro – início a 10 de Junho de 1997, por Manuel Dinarte Machado
* Desmontagem – 07 e 08 de Julho de 1997
* Transporte para as oficinas – 04 de Setembro de 1997
* Paragem do Restauro – Julho de 1998, devido a episódio sísmico
* Novo Arranque do Restauro – Junho de 2006

A Igreja de Nossa Senhora das Angústias situa-se no extremo sul da cidade da Horta, ilha do Faial, sendo hoje a paroquial da populosa freguesia urbana das Angústias. Teve a sua origem numa ermida dedicada a Santa Cruz e fundada no século XV pela capitão Joss van Hurtere.
Em 1640, segundo frei Diogo das Chagas, parece que a ermida estava muito arruinada, até que foi novamente edificada e com a mesma invocação, por mandado do bispo D. frei Lourenço de Castro, datado de 30 de Agosto de 1675, transferindo-se para o altar-mór desse novo templo as cinzas da esposa do capitão do donatário, D. Beatriz de Macedo.
Passados pouco mais de cem anos, em 1800, novas obras se levaram a efeito, desta vez para erguer o novo e actual edifício, obras muito demoradas porquanto só em 1861 a igreja foi dada por concluída, graças a uma subscrição promovida pela Junta de Paróquia, respectiva.
Com o sismo de 9 de Julho de 1998, o templo ficou danificado, tendo sido concluído o seu restauro em 2005 e reinaugurado em Maio de 2006.

Jornal “A Vida” nº567 – Paróquia de Nossa Senhora das Angústias, Março de 2009
* José Mário Lopes
(¹) Manuel Dinarte Machado, em correspondência dirigida ao Mons. Júlio da Rosa, a 06/07/1997 (extraída da primeira fonte acima referida)
- Informações sobre a Igreja:
* Inventário do Património Imóvel dos Açores
* Artigo "O Nosso Órgão de Joaquim António Peres Fontanes" - Autor: Mons. Júlio da Rosa. Jornal "A Vida" nº545 - Paróquia de Nossa Senhora das Angústias, Outubro de 2006
6 comentários:
Há um pequeno pormenor que me suscitou alguma dúvida quanto a este artigo: o facto de referires uma intervenção de 1904 de António Xavier Machado e Cerveira. Machado e Cerveira morre em 14 de Setembro de 1828. Contudo,a sua casa de organaria, pela sua reputação e fama granjeada é continuada por todo o séc. XIX, pelos filhos e netos. Não poderás estar a fazer confusão entre organeiro e oficina de organaria?
Pois, desconhecia a data de óbito desse organeiro. Retirei a informação do jornal da paróquia das Angústias, em que isso vinha mencionado numa conversa telefónica entre o Mons. Júlio da Rosa e o Dinarte (o Mons. tinha tirado notas da conversa). Ele já tem uma certa idade e pode ter percebido mal.
Acabo de corrigir.
Obrigada pela observação!
Conversas telefónicas... é possível. Contudo, é possível que a casa Machado e Cerveira ainda estivesse em actividade em 1904. Mas quanto a isso só o D.M. poderá responder. Tal facto seria um milagre pois no séc XIX português assassinou-se a música que tinha alguma qualidade...
A ver.
O D.M.?
D.M. = Dinarte Machado :)
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